Esta matéria foi publicada no Jornal Opinião, edição de nº 2680, 21/22 janeiro de 2016
Projeto
já existe em Belém e está em fase de estudo para ser implantado também em
Marabá, nos próximos dias
TEXTO: NILSON
SANTOS
Eco Celpa. Você sabe o
que é isso?
É um programa de conscientização ambiental de iniciativa da
concessionária de energia elétrica no estado do Pará, com o objetivo de ajudar
o consumidor na sua conta mensal.
Através da coleta de lixo reciclável, o
cidadão pode ganhar desconto considerável no valor da tarifa.
Quem explica como
funciona o programa é o executivo Ezion Geber Vieira da Silva, gerente de
relacionamento com o cliente para a região sul e sudeste do Pará, ao lado de
Edvânia Alves da Silva, do atendimento corporativo e audiências públicas com a
comunidade.
Os dois receberam, na manhã desta quarta-feira (20), a reportagem
do Opinião para falar, com
exclusividade, sobre o projeto que está em fase de implantação em Marabá.
O Eco Celpa já vem
sendo levado a efeito em Belém há
algum tempo, com sucesso.
Em território
paraense, Marabá será a segunda cidade a ser comtemplada com esse projeto, que
também é bem sucedido em vários municípios maranhenses, como a capital São
Luís, Imperatriz, Caxias, entre outros.
Lá, administrado pela concessionária
CEMAR (Centrais Elétricas do Maranhão).
Como
funciona
O projeto prevê a coleta de lixo
reciclável, de qualquer espécie (como latinha, pet, papelão, entre outros) que
deve ser entregue em um posto de coleta da Celpa, à ser colocado em pontos
estratégicos da cidade.
O consumidor será cadastrado, receberá um recibo o ato
da entrega e, o valor do material será debitado como desconto na próxima conta
de energia.
Para que o projeto seja
efetivado a Celpa necessita de um
parceiro, na forma de uma empresa de
reciclagem.
Esta deve obedecer os critérios previstos pela ANEEL (Agência
Nacional de Energia Elétrica), que exige que essa empresa possua CNPJ, tenha
licença ambiental, seja totalmente legalizada e tenha destinação certa para a
sua produção.
O material coletado nos postos da Celpa serão repassados para a
empresa, pelo valor de mercado. “Será um ganho para o consumidor, que além de
estar ajudando na coleta de lixo reciclável também vai estar ganhando desconto
na sua conta de energia”, diz Ezion Geber.
De acordo com o
executivo, ele já solicitou para o
escritório central, em Belém, todas as
diretrizes e normas necessárias para que o Eco Celpa possa ser implantado em
Marabá.
Ele espera que essa implantação comece num prazo de 15 dias.
Além dessas normas, explica,
a Celpa também deve
montar uma estrutura na cidade para que possa atender o
consumidor.
Tem que haver postos de coletas adequados, além de pessoal para
receber a demanda, “que não deve ser pouca”, acha ele.
Outro detalhe que o
gerente deixa bem claro, é que o
produto reciclável já deve ser entregue limpo.
“Não estamos incentivando catadores para que recorram ao lixão. O consumidor
deve limpar e embalar seu material para então entregá-los nos postos”, avisa.
“Com
isso, queremos também incutir no cidadão a conscientização ambiental”.
Geber
enfatiza que o Eco Celpa é também uma forma de aproximar a comunidade da
concessionária de energia. “Que sempre tem aparecido como vilã”, completa
Edvânia Alves.
Campanha
contra sucessivos reajustes apressou projeto
A instalação imediata
do Eco Celpa em Marabá foi uma
determinação direta da ANEEL.
Um reflexo
positivo do movimento popular iniciado no final do ano passado contra os
sucessivos reajustes nas contas de energia, o que têm sufocado o orçamento do
consumidor, principalmente o trabalhador assalariado e famílias de baixa renda.
Matéria exclusiva do Opinião sobre o
tema, em novembro do ano passado, foi parar no gabinete de Executivos da
Agência reguladora de energia, em Brasília.
Esse movimento, que
teve a iniciativa da dona de casa
Eliana Carvalho e vem colhendo assinaturas em
abaixo assinado, ganhou repercussão e hoje já conta com cerca de 30 mil
assinaturas.
O documento deve ser encaminhado ao Ministério Público Estadual
(MPE), Câmara de Vereadores de Marabá e Assembleia Legislativa do Estado do
Pará (ALEPA).
A iniciativa
sensibilizou a ANEEL, que inclusive vem
desenvolvendo esse projeto do tipo Eco
Celpa por todo o País.
Só não vem sendo amplamente divulgado, a gerência da
Celpa não soube explicar porque.
Foi a própria Agência
reguladora que orientou a direção da Centrais Elétricas, em Marabá, a entrar em
contato com Eliana Carvalho.
Que agora, juntamente com a equipe dela, passam a
ser parceiros no projeto Eco Celpa.
“Isso muito nos sensibiliza, porque já
estamos obtendo uma resposta rápida. Sinal de que nossa campanha está dando
certo”, diz a dona de casa, sem esconder uma certa emoção na voz.
“Essa luta não é minha,
é em prol de toda uma população
que vem sendo prejudicada com esses constantes
aumentos na conta de luz”, enfatiza.
Eliana reforça que ela não está sozinha na
luta, mas conta com uma comissão de pessoas que abraçaram a causa.
“E sem fins
políticos”, faz questão de lembrar.
Para que o projeto
alcance a maioria dos moradores de
Marabá, vai ser necessário mobilizar os
líderes comunitários e presidentes de associações de bairros.
A coordenação
desse trabalho fica por conta de Eliana, além de outras mobilizações.
Ela vai
ser o elo entre a comunidade e Celpa, segundo enfatizou Geber.
Será marcada uma data
para que Ezion Geber e Edvânia
Alves façam uma palestra de conscientização
junto aos consumidores. “Nós vamos até a comunidade”, promete o executivo da
Celpa.
Outros
ganhos
E não é só isso.
No rastro do Eco Celpa vêm também
outros benefícios que irão ajudar o consumidor marabaense.
Devem ser costurados
convênios com empresas e entidades, como Sesi, Senai, e Senac, por exemplo, para a
concessão de cursos para uma clientela específica.
Seja de eletricista,
mecânica, entre outros cursos profissionalizantes.
Também será
intensificado o Mutirão de Economia, que já
aconteceu em Marabá.
É quando uma
equipe da Celpa percorre determinados bairros para realizar a troca de
geladeiras em casas de famílias carentes.
Esse tipo de trabalho beneficente já
foi realizado no ano passado na cidade.
“Mas esse programa só atende famílias
notadamente carentes”, avisa Edvânia.
Por outro lado, a
empresa energética também vai
disponibilizar técnicos para fazer vistorias nas
residências.
Geber reforça que fiações velhas também ajudam no consumo
excessivo de energia, entre outros fatores, que vão desde a educação do
consumidor na forma de usar bem a energia, ao de saber economizar propriamente
dito.
“O consumo não é generalizado. Cada um tem sua própria maneira de usar
sua energia. E é isso que vai determinar o valor da tarifa”.
Por fim, Ezion Geber e
Edvânia ressaltam que está
marcado para fevereiro um workshop da Celpa, uma
espécie de audiência pública com a comunidade.
Falta confirmar a data e o
local.
Nesse dia, além de
palestras de conscientização sobre a otimização sobre o uso da energia, também estarão a
disposição da comunidade todos os setores da empresa, como de expansão,
instalação, fiscalização, entre outros.
Do encontro participaram ainda, além de Eliana
Carvalho, a dona de casa Luziene Nunes Pereira, que faz parte da comissão da campanha: “Não está satisfeito com sua conta de Luz? Junte-se a nós!”, e ainda o empresário Cláudio Moraes, que foi ver de perto como vai funcionar o Eco Celpa. (N.S.)
![]() |
Comissão e direção da Celpa discutem detalhes do projeto que vai beneficiar o consumidor marabaense |
![]() |
Ezion Geber fala ao jornalista Nilson Santos, com exclusividade, sobre o Eco Celpa |
![]() |
Campanha para derrubar tarifa cara da energia já está fazendo "eco" na ANEEL |