segunda-feira, 31 de março de 2025

 Orquestra vai à Praça

Nova turnê tem apresentação no aniversário de Marabá
Segunda edição do projeto promove concertos também em Parauapebas e Serra Pelada, com repertório regionalizado 

SÁVIO CALVO

A nova edição do projeto musical “Orquestra vai à Praça” está em contagem regressiva para começar. Realizada pela TheRoque Produções e patrocinada pelo Instituto Cultural Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a turnê deste ano vai animar o público de três cidades da região de Carajás: Marabá, Parauapebas e Curionópolis, no distrito de Serra Pelada. Serão três concertos de música instrumental, apresentados pela “Carajazz Marabá Orquestra”, que prometem colocar as pessoas para dançar com um repertório ainda mais regionalizado. 

O primeiro concerto presenteia a cidade de Marabá, fechando a programação oficial de aniversário de 112 anos do município. Com apoio institucional, a apresentação do “Orquestra vai à praça” será no dia 6 de abril, na Praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira, a partir das 20 horas. Com foco em difundir a cultura musical na região, o projeto promove também oficinas pedagógicas envolvendo dinâmicas musicais para o ensino da matemática, voltadas a alunos da rede pública nos três municípios. 

A primeira edição da turnê foi realizada em 2023, alcançando um público de mais de 5 mil pessoas. Para o produtor musical da TheRoque Produções, Jackson Gouveia, ver a interação do público foi contagiante. Agora, a expectativa é ainda maior no aniversário de Marabá e nas cidades de Parauapebas e Curionópolis, onde o concerto vai acontecer pela primeira vez.  

“A gente tem um propósito de contribuir com o desenvolvimento da música instrumental na região de Carajás, sem barreiras, sem ingressos, tudo acessível ao público, além de inspirar a formação de mais orquestras. Nossa maior expectativa é fazer nossa performance em grande estilo na programação oficial de aniversário de Marabá e nas demais cidades”, expressa Jackson.

E por falar em performance, a Carajazz Marabá Orquestra está empenhada nos ensaios para apresentar espetáculos de arrepiar e um repertório com ritmos da Música Popular Brasileira (MPB) e regionais dançantes, algo bem paraense. Os concertos são realizados no formato “Big Band” que reúnem, primordialmente, quatro naipes de instrumentos: saxofones, trompetes, trombones e a base harmônica que está formada por bateria, guitarra, baixo, teclado e percussão. Os músicos dos naipes têm se reunido semanalmente, em locais diferentes, mas é no ensaio geral que a riqueza de sons mostra a beleza e o poder da música instrumental.  

Com 11 anos de criação, a Carajazz Marabá Orquestra possui, atualmente, 20 integrantes, sendo uma mulher. A regência fica por conta do maestro Walkimar Guedes, um dos fundadores do projeto. Para ele, é uma honra fazer parte desse grande presente de Marabá, que é estar na programação oficial do aniversário da cidade, além de se apresentar novamente em Parauapebas e poder levar o concerto também para Serra Pelada. 

“A gente nasceu ali, em nossa primeira apresentação, no centenário de Marabá em 2014, e olha só, 11 anos depois, tudo culmina para que façamos mais uma apresentação nos 112 anos da cidade, o que nos faz relembrar nossa trajetória desde quando era apenas um sonho, o que conquistamos até hoje e as lutas para manter nossa banda de pé. Isso é importante e gratificante”, relembra.

A expectativa também não é diferente aos olhos de um dos integrantes pioneiros na Carajazz, o professor Claudean Pereira, de 39 anos. O trompetista tem uma visão íntima sobre a música e, mesmo sendo veterano, está ansioso para as apresentações.

“A música é algo que nos conforta, dá prazer tanto para produzi-la, quanto para repassá-la, por isso é uma satisfação fazer parte dessa turma desde quando começou, tornando gratificante e motivador levar mais uma vez o nosso talento, a nossa música ao público”, afirma.

O frio na barriga também faz parte das emoções do guitarrista Hildebrando Mateus Souza, de 29 anos. Ele vai se apresentar pela primeira vez na turnê do projeto “Orquestra vai à praça”, algo novo e desafiador para o músico e também advogado.

“São ritmos, os quais eu nunca toquei em uma apresentação, ou seja, tudo novo para mim, porém importante, pois isso acrescenta e muito em nossa forma de pensar e te torna um músico completo”, revela.

A única mulher na orquestra é a Beatriz Silva, 22 anos. Ela ingressou na Carajazz no ano passado e também vai participar da turnê pela primeira vez. A tecladista, presente num ambiente com maior presença masculina, espera que a presença dela influencie outras mulheres na carreira da música instrumental. “A música representa tudo no nosso dia a dia. Me sinto honrada de fazer parte da orquestra. É uma experiência nova pra mim”, declarou. 

Contribuição pedagógica do projeto 

Visando mostrar as possibilidades do aprendizado de matemática por meio da música, estimulando o raciocínio lógico, o projeto “Orquestra vai à praça” também promove oficinas pedagógicas para alunos do ensino fundamental de escolas públicas, nas cidades por onde a turnê passar. Esse ano, com o tema “Dinâmicas musicais para o ensino da matemática via ensino colaborativo”, as oficinas pretendem desenvolver atividades que sejam inclusivas, abrangendo a educação especial e o ensino comum. Elas serão ministradas pelo maestro Walkimar Guedes, que também é musicoterapeuta, professor do curso de licenciatura em música na Universidade do Estado do Pará (UEPA) e é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). 

“A gente quer envolver os alunos e também os professores nessa didática, no objetivo de contribuir com o ensino da matemática e mostrar que a música está presente no aprendizado deles. Um spoiler bem legal sobre essa oficina é o seguinte: os resultados dos cálculos matemáticos se transformam em música”, antecipa o maestro, na expectativa de que tudo seja aproveitado por alunos e professores.

Em Marabá, a oficina será dia 02 de abril, a partir das 14 horas, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Basílio Miguel, no bairro Amapá, para alunos do 1º ao 4º ano.  Em Parauapebas e Serra Pelada, as oficinas serão nos dias 23 de maio e 13 de junho, respectivamente.

Vale ressaltar que o projeto “Orquestra vai à praça” é gratuito ao público, realizado pela TheRoque Produções e  Ministério da Cultura do Governo Federal, União e Reconstrução, com patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e apoio institucional das Prefeituras de Marabá, Parauapebas e Curionópolis. 

Serviço

Em Marabá, o concerto é no dia 6 de abril, às 20 horas, na Praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. Já em Parauapebas, a apresentação será no dia 24 de maio, no Parque dos Ipês. Em Serra Pelada, o espetáculo está previsto para o dia 14 de junho, com local ainda em definição. (Ascom/Marabá)


                         Fotos: Bill Washington





Professor Claudean: "A música é algo que nos conforta"

Beatriz é a única mulher no grupo: "Espero que outras sigam o meu exemplo"

Mateus participa pela primeira vez da turnê; "frio na barriga" 



Presença do público é sempre marcante por onde a orquestra se apresenta


terça-feira, 25 de março de 2025

Carajazz Marabá 

Orquestra voltará a ocupar as praças da região de Carajás

A segunda edição do projeto “Orquestra Vai à Praça” já tem nova data para começar

 MARABÁ 

O público de Marabá será brindado com um concerto em comemoração ao aniversário da cidade, com apresentação no dia 6 de abril, na praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. A iniciativa, realizada pela TheRoque Produções e patrocinada pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, visa difundir a música instrumental com apresentações da Carajazz Marabá Orquestra e oficinas para alunos de escolas públicas.

A turnê levará concertos também às cidades de Parauapebas e Curionópolis, no distrito de Serra Pelada, nas datas 24 de maio e 14 de junho, respectivamente.
Em 2023, a primeira edição alcançou um público de mais de 5 mil pessoas nos municípios de Marabá e Parauapebas, no Pará, e em São Pedro da Água Branca e Açailândia, no Maranhão.

Segundo o produtor cultural da TheRoque Produções, Jackson Gouveia, a sensação é de aprovação do público. Ele espera que “o projeto inspire a formação de mais orquestras e haja mais difusão da cultura musical na região”.
Criada em 2014, a Carajazz Marabá Orquestra, cujo maestro é Walkimar Guedes, apresenta espetáculos no formato “Big Band”. Atualmente, possui 21 integrantes e leva ao público repertórios clássicos da Música Popular Brasileira (MPB) e obras regionais.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do
raciocínio lógico dos alunos, as oficinas terão como tema “A música como ferramenta didática para o ensino da matemática”, e será ministrada por Walkimar Guedes, mestrando em Educação em Ciências e Matemática.
O projeto Orquestra Vai à Praça é gratuito ao público e é uma realização da TheRoque Produções e do Ministério da Cultura do Governo Federal, União e Reconstrução. (Kélia Santos/ASCOM)

                                Imagens: (Ascom)

Publico marabaense mais uma vez terá a oportunidade de desfrutar de um bom concerto 

Difundir a música instrumental é um dos objetivos da Carajazz

Apresentação especial será um presente pelo aniversário de Marabá


quinta-feira, 13 de março de 2025

 O RÁBULA, A COMUNICAÇÃO E O PERIGO DAS WEBs

 

POR: NILSON SANTOS*

 

No período imperial, no Brasil, a figura do Rábula era bastante prestigiada nos meios sociais, cujos serviços eram bastante requisitados pelos barões da época.

Mas, o que seria um Rábula? Simplesmente aquele autodidata que exercia a advocacia sem possuir qualquer formação acadêmica em Direito. Bastando para isso ter algum conhecimento de bacharelado e, obter uma autorização do Poder Judiciário para trabalhar na profissão.

Na época, não havia na Pátria recém descoberta nenhuma Faculdade de Direito, o que perdurou até a chegada da Família Real Portuguesa, por volta do século XIX. Com a família, chegaram também os dois primeiros cursos jurídicos.

Mas, nem todos os aficcionados pela profissão, tinham condições de pagar os estudos. Então, os Rábulas foram ficando, o que perdurou até as décadas de 60/70, quando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passou a exigir a formação acadêmica para o exercício legal da profissão.

Até então, o Rábula, por assim dizer, era um advogado “prático”. Aliás, que o “prático” era muito comum, naquela época, nas mais variadas profissões: médicos, engenheiros, obstetras (as famosas parteiras). Até mesmo dentistas, sendo o mais famoso deles o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, apelido que adveio justamente da profissão.

Claro que, no meio de tanta facilidade, não faltavam os charlatões.

Todo esse preâmbulo, para realmente entrar no bojo do título central: o perigo das WEBs, para ouvintes e telespectadores. A facilidade da internet proporciona isso, o surgimento indiscriminado de canais de rádio e televisão, pelas várias plataformas das redes sociais.

A facilidade é tanta, que, qualquer um que se autointitula “jornalista”, ou “radialista”, está aí, com sua web em pleno vapor. Com destaque para aqueles que nunca tiveram chances ou oportunidades pelos canais competentes (leia-se rádios e TVs profissionais e devidamente licenciados), justamente pela falta de formação, ou, de um mínimo de conhecimento.

Sem falar dos muitos blogues que existem por aí, de profissionalismo, ética e credibilidade altamente questionáveis.

É claro que há as muitas, variadas e benéficas exceções, já que “toda unanimidade é burra”, como bem o disse o imortal Nelson Rodrigues.

É preciso separar o joio do trigo.

Fica a cargo da visão de cada um.

Que a carapuça caia, aonde realmente servir.

Agora, vamos aos fatos: quando falo em “perigo” das webes/blogues (respeitando as exceções), estou me referindo ao risco da desinformação, da falta de qualidade do que está sendo levado ao ouvinte/telespectador/leitor e, principalmente – e aqui é onde mora o perigo – da falta de conhecimento, o mínimo que seja, desse interlocutor. E é conhecimento de modo genérico mesmo, notadamente da já tão sofrida e maltratada linguística portuguesa. Pronúncias incorretas, ausência da observância dos verbos, “ss” e “rr” levados para as cucuias, sem falar de outras regras, que seriam simples para quem se desse ao trabalho de buscar um pouco mais de aprendizado. É vergonhoso, ler e ouvir muitas titicas que proliferam por aí, com as bênçãos das redes sociais (respeitando as exceções, é claro. Pode estar sendo redundante, mas é apenas para assegurar que a carapuça só vai cair, aonde realmente couber).

Ou seja, também nos meios do rádio/jornalismo há também os “práticos”. Os charlatões.

Não à toa, o jornalismo em si, a cada dia que passa está caindo em credibilidade. Já não é mais considerado o então 4º poder.

A enxurrada de rádios/TVs Webes espalhadas pelo país, serviu também para “prostituir” a profissão.

Aliás, só piorou um pouquinho mais.

Essa “prostituição” na comunicação, na verdade, começou mesmo com a venda de horários para terceiros. Foi quando, ótimos e bons profissionais passaram a ser preteridos, para dar espaço à péssimos e ruins.

E assim segue, a nossa pobre e reles comunicação do futuro. Repito, com as devidas exceções.

 

*Jornalista e Radialista, do Blog do Cara Feia e GuajaráFM Web



                                         *Apenas ilustração