terça-feira, 20 de janeiro de 2026

AUTOMEDICAÇÃO

Prática constante significa risco silencioso em idosos

Hábito comum entre pessoas de mais idade pode comprometer a saúde, a autonomia e deve ser observada com atenção por familiares e cuidadores

MARABÁ/PA

A cena é recorrente: um comprimido para dor aqui, um chá “natural” ali, um remédio doado do vizinho. Para muitos idosos, a automedicação parece uma solução rápida, mas pode se transformar em um problema grave. Mas para Doralice Lima Roberto, de 89 anos, diagnosticada com demência mista (Alzheimer e vascular) e portadora de múltiplas comorbidades, como glaucoma, osteoporose, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, ansiedade e depressão, isso não acontece. Tudo o que a aposentada toma de medicamentos é rigorosamente controlado pelas filhas.

Dona Dora, como é chamada carinhosamente, é acompanhada por uma geriatra e pelo médico da família da UBS do bairro. Sua rotina inclui o uso contínuo de diversos medicamentos: colírios, suplementação vitamínica, três anti-hipertensivos, uma estatina, dois fármacos para o quadro cognitivo, um antipsicótico, dois ansiolíticos e um para insônia. “Quando surgem intercorrências, mais medicações são acrescentadas, o que exige de nós, cuidadoras, atenção redobrada”, relata uma das filhas.

Para garantir segurança e evitar erros, as três irmãs que se revezam nos cuidados com a mãe criaram um sistema rigoroso de controle: uma tabela com nome, dosagem, horários e observações dos medicamentos, visível na porta da geladeira, com cópias digitais e impressas. As medicações são armazenadas em uma caixa organizadora, fora do alcance da paciente e de crianças. “Sempre que uma de nós precisa sair, repassamos um relatório à outra sobre o que foi administrado, se houve alguma alteração ou esquecimento. A comunicação entre nós é essencial”, explicam.

O relato reforça que lidar com a polifarmácia em idosos exige conhecimento, vigilância e afeto. Segundo a geriatra e professora da Afya Marabá, Recielle Chaves, os riscos vão muito além dos efeitos colaterais. “A automedicação pode causar reações adversas, intoxicações e interferir diretamente no tratamento de doenças crônicas, levando até a internações evitáveis”, alerta.

Com o envelhecimento, o organismo passa por mudanças que tornam os idosos mais vulneráveis aos efeitos dos medicamentos. O fígado e os rins, responsáveis por metabolizar e eliminar substâncias, funcionam mais lentamente. A menor ingestão de água também contribui para que os remédios permaneçam mais tempo no corpo. “Além disso, o sistema nervoso e cardiovascular ficam mais sensíveis, o que faz com que doses seguras para adultos jovens possam ser tóxicas para os idosos”, explica a médica.

Entre os medicamentos mais perigosos quando usados sem orientação estão os anti-inflamatórios e analgésicos comuns, como ibuprofeno e diclofenaco, que podem causar sangramentos digestivos e prejudicar os rins. Sedativos e calmantes aumentam o risco de quedas e confusão mental. Antialérgicos antigos, antibióticos, antivertiginosos e até fitoterápicos também oferecem riscos sérios, especialmente quando combinados com remédios de uso contínuo.

O impacto da automedicação é ainda mais preocupante em pacientes com doenças crônicas. “Alguns medicamentos podem anular o efeito de remédios para hipertensão, diabetes ou doenças cardíacas. Anti-inflamatórios, por exemplo, elevam a pressão arterial e dificultam o controle do diabetes”, afirma a médica Recielle.

A família tem papel essencial na prevenção Acompanhamento médico, organização dos medicamentos e atenção aos sinais de alerta são atitudes que fazem diferença. “Sonolência excessiva, quedas, confusão mental, alterações no apetite ou na urina são sinais que devem ser avaliados com urgência”, orienta.

Assim como a família de Dona Doralice implementou, uma rotina segura inclui o uso de caixas organizadoras, listas atualizadas com nome, dose e horário dos medicamentos, além da eliminação de frascos sem rótulo ou comprimidos soltos. “Todo sintoma novo no paciente idoso deve levantar uma suspeita: será que foi iniciado por algum medicamento?”, reforça a médica.

Mas, e quando é o próprio idoso que tem que se medicar? Segundo o enfermeiro Marcos Vinícios Ferreira, Mestre em Ciências e Meio Ambiente; Especialista em Urgência, Emergência e UTI e Especialista em Saúde da Pessoa Idosa, que atua na Afya Redenção, os erros mais comuns cometidos por pessoas idosas envolvem esquecer doses, tomar remédios repetidos achando que não tomaram antes, confundir comprimidos parecidos, usar medicamentos vencidos e seguir orientações antigas, sem perceber que a prescrição já mudou.

Nesses casos, de acordo com Marcos, as estratégias de atenção e cuidado com a medicação podem fazer toda a diferença. “Para garantir o uso correto dos remédios quando o idoso mora sozinho, vale combinar lembretes, visitas periódicas de um familiar, conferência semanal dos medicamentos e, se possível, acompanhamento de um profissional de saúde. Manter uma rotina fixa também faz diferença, porque o hábito facilita a adesão”, complementa.

Para Recielle Chaves, o cuidado com os medicamentos é um ato de amor e responsabilidade. “A automedicação parece algo simples, mas pode ser muito perigosa para o idoso. A melhor forma de cuidar é acompanhar com atenção, manter o diálogo com o médico e nunca acrescentar nada sem orientação”, enfatiza.

Sobre a Afya

A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.653 vagas de Medicina aprovadas e 3.543 vagas de medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br. (Elizabeth Ribeiro/Ascom/Facimpa)

                                      Imagem: Divulgação

Os cuidados medicamentosos com Dona Dora exigem atenção redobrada


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

 PASSIONAL

Suspeita de comandar morte de empresário se entrega

Fim de relacionamento conturbado resultou na execução de Alexandre Araújo, em dezembro do ano passado em Tucumã

 

MARABÁ (PA)

A mulher apontada como principal investigada pela morte do empresário Alexandre Araújo Andrade, de 30 anos, assassinato registrado em dezembro do ano passado no município de Tucumã, sudeste do Pará, apresentou-se espontaneamente à Polícia Civil na quinta-feira (8), em Marabá. Girlane dos Santos Coelho compareceu à 21ª Seccional Urbana acompanhada de uma advogada e teve o mandado de prisão preventiva cumprido.

O homicídio ocorreu na madrugada de 12 de dezembro, quando Alexandre foi encontrado sem vida dentro de uma caminhonete S10 branca, na Avenida Brasil. O veículo havia se chocado contra um poste após o empresário ser atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca.

Conforme a Polícia Civil, por volta das 2h28 equipes foram acionadas para atender uma ocorrência de homem ferido dentro de um automóvel. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram a vítima já em óbito, apesar das tentativas de reanimação feitas por duas mulheres que estavam nas proximidades. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou a morte.

As apurações iniciais indicam que o empresário vinha sendo perseguido por outro veículo instantes antes do acidente. Durante a perseguição, ocupantes desse carro teriam efetuado os disparos que resultaram na morte da vítima.

Alexandre Araújo Andrade era empresário do ramo da gastronomia e bastante conhecido em Ourilândia do Norte, município vizinho a Tucumã, onde mantinha um restaurante. A suspeita, Girlane dos Santos Coelho, também residia na cidade e exercia a função de diretora de uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Segundo informações levantadas pela investigação, os dois mantiveram um relacionamento amoroso conturbado, marcado por separações e reconciliações.

À época do crime, a Justiça de Tucumã decretou a prisão preventiva de Girlane, que passou à condição de foragida. Após se apresentar em Marabá, cidade localizada a cerca de 400 quilômetros de Tucumã, ela foi submetida a exame de corpo de delito e encaminhada ao presídio feminino, onde permanece custodiada.

A suspeita deverá ser transferida para Tucumã, onde ficará à disposição da Justiça. As investigações continuam com o objetivo de esclarecer completamente o homicídio e verificar a eventual participação de outros envolvidos. (Com informações do repórter Jucelino Show, de Tucumã)

                             Imagens: De Rede Social

Alexandre ainda tentou fugir dos algozes mas acabou se envolvendo em acidente 

Depoimento de Girlane ainda não foi divulgado à Imprensa







FÉRIAS

Viagem tranquila exige também cuidados com o lanche  

Como preparar cardápios práticos e seguros para viagens longas em família, sem se preocupar com as famosas paradas rápidas e "fora do roteiro"

MARABÁ (PA)

Elizabete Ribeiro, jornalista e mãe de três filhos, um adolescente e um casal de crianças de 3 e 6 anos, está se preparando para encerrar as férias com uma viagem em família. O destino é o litoral nordestino, e o trajeto será feito de carro. Serão muitas horas na estrada, e a preocupação dela vai além das malas e brinquedos: como manter todos bem alimentados sem depender de compras em locais desconhecidos, que podem não oferecer segurança ou qualidade? 

Entre organizar roupas, separar lembranças e pensar nas paradas, Elizabete sabe que os lanches são parte essencial da viagem. Afinal, ninguém quer lidar com fome, indisposição ou alimentos estragados no meio do caminho. Para entender melhor como planejar esse detalhe tão importante, ela buscou orientação com a enfermeira Aline de Oliveira Vieira, especialista em CME (Centro de Material Esterilizado) e professora do Curso de Enfermagem da Afya Redenção. 

Aline explica que o segredo está nos cuidados simples. “Higienizar bem frutas e utensílios é fundamental”, destaca. Ela recomenda ainda o uso de bolsas térmicas e porções individuais, que facilitam o consumo e evitam bagunça. 

Mas o que não combina com viagem? Carnes, embutidos, queijos cremosos e iogurtes ficam fora da lista. “Esses alimentos estragam rápido sem refrigeração”, alerta Aline. O mesmo vale para preparações com maionese e ovos cozidos. Para os pequenos, a dica é apostar em frutas já cortadas, sanduíches simples, biscoitos caseiros e mix de castanhas. “Água deve estar sempre disponível”, reforça. Adultos podem variar mais, incluindo alimentos integrais e fibrosos, mas sem exagerar no açúcar. 

Quer praticidade sem apelar para pacotes prontos? Aline sugere sanduíches preparados em casa, bolinhos embalados individualmente e até água saborizada com frutas. “É possível ser prático e saudável ao mesmo tempo”, garante. Manter a garrafinha por perto evita dores de cabeça e indisposição. Crianças e idosos precisam de atenção especial, já que desidratam mais rápido. Refrigerantes, energéticos e sucos artificiais devem ficar de fora. 

Em viagens de carro, como é o caso de Elizabete, vale levar bolsa térmica e planejar paradas para refeições leves. Já no avião, a aposta são lanches secos e embalados, como frutas secas e biscoitos, sempre respeitando as regras de embarque. Planeje lanches para cada 2 a 3 horas de viagem e garanta pelo menos 500 ml de água por pessoa em trajetos curtos. “Evite excesso de comida para não carregar peso desnecessário”, aconselha Aline. 

A enfermeira defende ainda que realizar os preparos de lanches em casa garante qualidade e higiene, mas reconhece que snacks prontos podem ser aliados. “O ideal é combinar: frutas e sanduíches caseiros com alguns snacks prontos, sempre observando o prazo de validade”. Afinal, lanches bem pensados tornam a viagem mais tranquila e evitam imprevistos.

Sobre a Afya:

A Afya, maior ecossistema de educação e tecnologia em medicina no Brasil, reúne 38 Instituições de Ensino Superior, 33 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país.

São 3.653 vagas de Medicina aprovadas e 3.543 vagas de medicina em operação, com mais de 24 mil alunos formados nos últimos 25 anos.

Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, um a cada três médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.

Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br. 


                                          Imagem: Ascom/Facimpa

Alimentação das crianças é imprescindível para evitar transtornos