segunda-feira, 31 de março de 2025

 Orquestra vai à Praça

Nova turnê tem apresentação no aniversário de Marabá
Segunda edição do projeto promove concertos também em Parauapebas e Serra Pelada, com repertório regionalizado 

SÁVIO CALVO

A nova edição do projeto musical “Orquestra vai à Praça” está em contagem regressiva para começar. Realizada pela TheRoque Produções e patrocinada pelo Instituto Cultural Vale por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a turnê deste ano vai animar o público de três cidades da região de Carajás: Marabá, Parauapebas e Curionópolis, no distrito de Serra Pelada. Serão três concertos de música instrumental, apresentados pela “Carajazz Marabá Orquestra”, que prometem colocar as pessoas para dançar com um repertório ainda mais regionalizado. 

O primeiro concerto presenteia a cidade de Marabá, fechando a programação oficial de aniversário de 112 anos do município. Com apoio institucional, a apresentação do “Orquestra vai à praça” será no dia 6 de abril, na Praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira, a partir das 20 horas. Com foco em difundir a cultura musical na região, o projeto promove também oficinas pedagógicas envolvendo dinâmicas musicais para o ensino da matemática, voltadas a alunos da rede pública nos três municípios. 

A primeira edição da turnê foi realizada em 2023, alcançando um público de mais de 5 mil pessoas. Para o produtor musical da TheRoque Produções, Jackson Gouveia, ver a interação do público foi contagiante. Agora, a expectativa é ainda maior no aniversário de Marabá e nas cidades de Parauapebas e Curionópolis, onde o concerto vai acontecer pela primeira vez.  

“A gente tem um propósito de contribuir com o desenvolvimento da música instrumental na região de Carajás, sem barreiras, sem ingressos, tudo acessível ao público, além de inspirar a formação de mais orquestras. Nossa maior expectativa é fazer nossa performance em grande estilo na programação oficial de aniversário de Marabá e nas demais cidades”, expressa Jackson.

E por falar em performance, a Carajazz Marabá Orquestra está empenhada nos ensaios para apresentar espetáculos de arrepiar e um repertório com ritmos da Música Popular Brasileira (MPB) e regionais dançantes, algo bem paraense. Os concertos são realizados no formato “Big Band” que reúnem, primordialmente, quatro naipes de instrumentos: saxofones, trompetes, trombones e a base harmônica que está formada por bateria, guitarra, baixo, teclado e percussão. Os músicos dos naipes têm se reunido semanalmente, em locais diferentes, mas é no ensaio geral que a riqueza de sons mostra a beleza e o poder da música instrumental.  

Com 11 anos de criação, a Carajazz Marabá Orquestra possui, atualmente, 20 integrantes, sendo uma mulher. A regência fica por conta do maestro Walkimar Guedes, um dos fundadores do projeto. Para ele, é uma honra fazer parte desse grande presente de Marabá, que é estar na programação oficial do aniversário da cidade, além de se apresentar novamente em Parauapebas e poder levar o concerto também para Serra Pelada. 

“A gente nasceu ali, em nossa primeira apresentação, no centenário de Marabá em 2014, e olha só, 11 anos depois, tudo culmina para que façamos mais uma apresentação nos 112 anos da cidade, o que nos faz relembrar nossa trajetória desde quando era apenas um sonho, o que conquistamos até hoje e as lutas para manter nossa banda de pé. Isso é importante e gratificante”, relembra.

A expectativa também não é diferente aos olhos de um dos integrantes pioneiros na Carajazz, o professor Claudean Pereira, de 39 anos. O trompetista tem uma visão íntima sobre a música e, mesmo sendo veterano, está ansioso para as apresentações.

“A música é algo que nos conforta, dá prazer tanto para produzi-la, quanto para repassá-la, por isso é uma satisfação fazer parte dessa turma desde quando começou, tornando gratificante e motivador levar mais uma vez o nosso talento, a nossa música ao público”, afirma.

O frio na barriga também faz parte das emoções do guitarrista Hildebrando Mateus Souza, de 29 anos. Ele vai se apresentar pela primeira vez na turnê do projeto “Orquestra vai à praça”, algo novo e desafiador para o músico e também advogado.

“São ritmos, os quais eu nunca toquei em uma apresentação, ou seja, tudo novo para mim, porém importante, pois isso acrescenta e muito em nossa forma de pensar e te torna um músico completo”, revela.

A única mulher na orquestra é a Beatriz Silva, 22 anos. Ela ingressou na Carajazz no ano passado e também vai participar da turnê pela primeira vez. A tecladista, presente num ambiente com maior presença masculina, espera que a presença dela influencie outras mulheres na carreira da música instrumental. “A música representa tudo no nosso dia a dia. Me sinto honrada de fazer parte da orquestra. É uma experiência nova pra mim”, declarou. 

Contribuição pedagógica do projeto 

Visando mostrar as possibilidades do aprendizado de matemática por meio da música, estimulando o raciocínio lógico, o projeto “Orquestra vai à praça” também promove oficinas pedagógicas para alunos do ensino fundamental de escolas públicas, nas cidades por onde a turnê passar. Esse ano, com o tema “Dinâmicas musicais para o ensino da matemática via ensino colaborativo”, as oficinas pretendem desenvolver atividades que sejam inclusivas, abrangendo a educação especial e o ensino comum. Elas serão ministradas pelo maestro Walkimar Guedes, que também é musicoterapeuta, professor do curso de licenciatura em música na Universidade do Estado do Pará (UEPA) e é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). 

“A gente quer envolver os alunos e também os professores nessa didática, no objetivo de contribuir com o ensino da matemática e mostrar que a música está presente no aprendizado deles. Um spoiler bem legal sobre essa oficina é o seguinte: os resultados dos cálculos matemáticos se transformam em música”, antecipa o maestro, na expectativa de que tudo seja aproveitado por alunos e professores.

Em Marabá, a oficina será dia 02 de abril, a partir das 14 horas, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Basílio Miguel, no bairro Amapá, para alunos do 1º ao 4º ano.  Em Parauapebas e Serra Pelada, as oficinas serão nos dias 23 de maio e 13 de junho, respectivamente.

Vale ressaltar que o projeto “Orquestra vai à praça” é gratuito ao público, realizado pela TheRoque Produções e  Ministério da Cultura do Governo Federal, União e Reconstrução, com patrocínio Master do Instituto Cultural Vale e apoio institucional das Prefeituras de Marabá, Parauapebas e Curionópolis. 

Serviço

Em Marabá, o concerto é no dia 6 de abril, às 20 horas, na Praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. Já em Parauapebas, a apresentação será no dia 24 de maio, no Parque dos Ipês. Em Serra Pelada, o espetáculo está previsto para o dia 14 de junho, com local ainda em definição. (Ascom/Marabá)


                         Fotos: Bill Washington





Professor Claudean: "A música é algo que nos conforta"

Beatriz é a única mulher no grupo: "Espero que outras sigam o meu exemplo"

Mateus participa pela primeira vez da turnê; "frio na barriga" 



Presença do público é sempre marcante por onde a orquestra se apresenta


terça-feira, 25 de março de 2025

Carajazz Marabá 

Orquestra voltará a ocupar as praças da região de Carajás

A segunda edição do projeto “Orquestra Vai à Praça” já tem nova data para começar

 MARABÁ 

O público de Marabá será brindado com um concerto em comemoração ao aniversário da cidade, com apresentação no dia 6 de abril, na praça São Félix de Valois, na Marabá Pioneira. A iniciativa, realizada pela TheRoque Produções e patrocinada pelo Instituto Cultural Vale, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, visa difundir a música instrumental com apresentações da Carajazz Marabá Orquestra e oficinas para alunos de escolas públicas.

A turnê levará concertos também às cidades de Parauapebas e Curionópolis, no distrito de Serra Pelada, nas datas 24 de maio e 14 de junho, respectivamente.
Em 2023, a primeira edição alcançou um público de mais de 5 mil pessoas nos municípios de Marabá e Parauapebas, no Pará, e em São Pedro da Água Branca e Açailândia, no Maranhão.

Segundo o produtor cultural da TheRoque Produções, Jackson Gouveia, a sensação é de aprovação do público. Ele espera que “o projeto inspire a formação de mais orquestras e haja mais difusão da cultura musical na região”.
Criada em 2014, a Carajazz Marabá Orquestra, cujo maestro é Walkimar Guedes, apresenta espetáculos no formato “Big Band”. Atualmente, possui 21 integrantes e leva ao público repertórios clássicos da Música Popular Brasileira (MPB) e obras regionais.

Com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do
raciocínio lógico dos alunos, as oficinas terão como tema “A música como ferramenta didática para o ensino da matemática”, e será ministrada por Walkimar Guedes, mestrando em Educação em Ciências e Matemática.
O projeto Orquestra Vai à Praça é gratuito ao público e é uma realização da TheRoque Produções e do Ministério da Cultura do Governo Federal, União e Reconstrução. (Kélia Santos/ASCOM)

                                Imagens: (Ascom)

Publico marabaense mais uma vez terá a oportunidade de desfrutar de um bom concerto 

Difundir a música instrumental é um dos objetivos da Carajazz

Apresentação especial será um presente pelo aniversário de Marabá


quinta-feira, 13 de março de 2025

 O RÁBULA, A COMUNICAÇÃO E O PERIGO DAS WEBs

 

POR: NILSON SANTOS*

 

No período imperial, no Brasil, a figura do Rábula era bastante prestigiada nos meios sociais, cujos serviços eram bastante requisitados pelos barões da época.

Mas, o que seria um Rábula? Simplesmente aquele autodidata que exercia a advocacia sem possuir qualquer formação acadêmica em Direito. Bastando para isso ter algum conhecimento de bacharelado e, obter uma autorização do Poder Judiciário para trabalhar na profissão.

Na época, não havia na Pátria recém descoberta nenhuma Faculdade de Direito, o que perdurou até a chegada da Família Real Portuguesa, por volta do século XIX. Com a família, chegaram também os dois primeiros cursos jurídicos.

Mas, nem todos os aficcionados pela profissão, tinham condições de pagar os estudos. Então, os Rábulas foram ficando, o que perdurou até as décadas de 60/70, quando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passou a exigir a formação acadêmica para o exercício legal da profissão.

Até então, o Rábula, por assim dizer, era um advogado “prático”. Aliás, que o “prático” era muito comum, naquela época, nas mais variadas profissões: médicos, engenheiros, obstetras (as famosas parteiras). Até mesmo dentistas, sendo o mais famoso deles o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”, apelido que adveio justamente da profissão.

Claro que, no meio de tanta facilidade, não faltavam os charlatões.

Todo esse preâmbulo, para realmente entrar no bojo do título central: o perigo das WEBs, para ouvintes e telespectadores. A facilidade da internet proporciona isso, o surgimento indiscriminado de canais de rádio e televisão, pelas várias plataformas das redes sociais.

A facilidade é tanta, que, qualquer um que se autointitula “jornalista”, ou “radialista”, está aí, com sua web em pleno vapor. Com destaque para aqueles que nunca tiveram chances ou oportunidades pelos canais competentes (leia-se rádios e TVs profissionais e devidamente licenciados), justamente pela falta de formação, ou, de um mínimo de conhecimento.

Sem falar dos muitos blogues que existem por aí, de profissionalismo, ética e credibilidade altamente questionáveis.

É claro que há as muitas, variadas e benéficas exceções, já que “toda unanimidade é burra”, como bem o disse o imortal Nelson Rodrigues.

É preciso separar o joio do trigo.

Fica a cargo da visão de cada um.

Que a carapuça caia, aonde realmente servir.

Agora, vamos aos fatos: quando falo em “perigo” das webes/blogues (respeitando as exceções), estou me referindo ao risco da desinformação, da falta de qualidade do que está sendo levado ao ouvinte/telespectador/leitor e, principalmente – e aqui é onde mora o perigo – da falta de conhecimento, o mínimo que seja, desse interlocutor. E é conhecimento de modo genérico mesmo, notadamente da já tão sofrida e maltratada linguística portuguesa. Pronúncias incorretas, ausência da observância dos verbos, “ss” e “rr” levados para as cucuias, sem falar de outras regras, que seriam simples para quem se desse ao trabalho de buscar um pouco mais de aprendizado. É vergonhoso, ler e ouvir muitas titicas que proliferam por aí, com as bênçãos das redes sociais (respeitando as exceções, é claro. Pode estar sendo redundante, mas é apenas para assegurar que a carapuça só vai cair, aonde realmente couber).

Ou seja, também nos meios do rádio/jornalismo há também os “práticos”. Os charlatões.

Não à toa, o jornalismo em si, a cada dia que passa está caindo em credibilidade. Já não é mais considerado o então 4º poder.

A enxurrada de rádios/TVs Webes espalhadas pelo país, serviu também para “prostituir” a profissão.

Aliás, só piorou um pouquinho mais.

Essa “prostituição” na comunicação, na verdade, começou mesmo com a venda de horários para terceiros. Foi quando, ótimos e bons profissionais passaram a ser preteridos, para dar espaço à péssimos e ruins.

E assim segue, a nossa pobre e reles comunicação do futuro. Repito, com as devidas exceções.

 

*Jornalista e Radialista, do Blog do Cara Feia e GuajaráFM Web



                                         *Apenas ilustração

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

 Palestina do Pará

Eleição no município sob forte suspeita de compra de votos

Suposto crime eleitoral teria proporcionado a vitória do candidato apoiado pelo atual prefeito, mesmo estando atrás nas pesquisas 

 

NILSON SANTOS

 

 

O Ministério Público Eleitoral (MPE) da comarca de São João do Araguaia, sudeste do Pará, deve ser provocado, nos próximos dias, para investigar a denúncia de possível fraude eleitoral no município de Palestina do Pará, cuja 057º zona pertence a São João.

O vencedor para prefeito, supostamente, foi o candidato Márcio Folha (PP), integrante da coligação PSDB, PSD, PRD, PDT, PSB, PP, e Cidadania. O outro concorrente à prefeitura, Valciney Ferreira Gomes (MDB), até então líder absoluto nas pesquisas divulgadas antes das eleições, “misteriosamente” sofreu revés nas urnas no final das apurações, na eleição majoritária do último dia 6 de outubro.   

A reportagem apurou que são fortes os indícios de que houve uma escancarada compra de votos, antes e despois do pleito municipal. Estratégia que garantiu a vitória de Folha, um forte aliado do atual prefeito Cláudio Robertino dos Santos, mais conhecido como “Claudio da Tetê”, por ter parentesco com a ex-deputada Tetê Santos. A compra de votos é um crime eleitoral, tipificado no art. 299 da lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965.

Mas não foi apenas a compra de votos que ajudou a eleger Márcio Folha. A reportagem também apurou, com exclusividade, que eleitores “forasteiros” desembarcaram em Palestina do Pará, alguns dias antes das eleições, com a orientação de votarem maciçamente no candidato do atual prefeito. Um forte empresário de Parauapebas teria fretado ônibus para o transporte de funcionários de sua empresa, 50 ao todo, com essa finalidade. Até mesmo um time de futebol foi “importado” de Parauapebas, segundo áudios de WhatsApp que vazaram para a reportagem. Todos com a finalidade de votar em Márcio Folha. O áudio não cita a que time de Parauapebas pertencem esses jogadores.

Essa “delegação” enviada da cidade do minério de ferro, teria ficado hospedada em duas casas, em Palestina, também supostamente alugada por esse empresário. 

Sobre a compra de votos, o próprio presidente do PDT no município, o ex-vereador e um dos coordenadores da campanha de Folha, Moacy Marques Ribeiro, foi preso em flagrante por uma equipe da Polícia Civil (PC) e conduzido para a delegacia local. Isso no próprio dia da eleição. De acordo com denúncias que chegaram ao conhecimento da PC, Moacy estaria pessoalmente na frente dos locais de votação aliciando eleitores, em troca de dinheiro. Valor não revelado.

Aliás, o ex-vereador e aliado de Cláudio da Tetê e Folha, foi flagrado dentro de um dos locais de votação, exibindo uma cédula de R$ 50,00 e abraçado com um correligionário, a quem teria subornado. O sorriso de deboche de ambos, em comemoração, não apenas demonstra um atentado à democracia, mas também uma clara afronta às autoridades, tanto da Justiça Eleitoral quanto da Polícia Federal (PF).

 

Vitória de Márcio Folha revela “milagre da multiplicação”

 

Fato bastante intrigante, e que deve receber atenção especial por parte das autoridades competentes, é que as últimas eleições, em Palestina do Pará, têm revelado estar bastante atual aquela passagem bíblica do “filho pródigo”. A reportagem fez levantamento junto a dados no site, tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quanto também do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e constatou o seguinte: pelo menos nas duas últimas eleições municipais (2020/2024), houve um aumento substancial de eleitores, entre um pleito e outro; 856 ao todo. Até aí, nada demais.

Acontece que, nos dois últimos recenseamentos realizados pelo IBGE (2010/2022), num espaço de 12 anos aconteceu o êxodo de 590 moradores, pessoas que deixaram Palestina do Pará pelos mais diversos motivos, e para diferentes lugares. Para esta eleição de 2024, 6.033 eleitores estavam aptos à votar na 057 zona. O que estranhamente demonstra que, entre o último censo de 2022 até a última eleição, 852 pessoas aumentaram a população do município, 262 pessoas a mais das que haviam emigrado. E os dados falam de pessoas, não de famílias.

A reportagem também conferiu os dados das últimas eleições, para equiparar os números. Dos 6.033 eleitores aptos à votar, 2.607 votos foram para Márcio Folha, 2.542 para Valciney, 125 votos foram anulados, e teve um total de 745 abstenções (12,35%) do total. Ou seja, das 852 pessoas que supostamente decidiram viver em Palestina, apenas 107 se dispuseram a sair de suas casas para votar.

“É humanamente impossível isso acontecer. As pessoas que mudaram de Palestina é que foram em busca de novas oportunidades, outros atrativos, como bons empregos e estudos mais avançados. Aqui (em Palestina) não tem nada disso.”, disse uma fonte, que prefere o anonimato.

Analisando os números, se percebe que, enquanto a população diminuiu em 8%, o número de eleitores teve um crescimento de 16%. O dobro, em pequeno espaço de tempo.

Fenômeno – Esse “milagre da multiplicação” não é exclusividade apenas de Palestina do Pará. Pesquisando mais a fundo, a reportagem descobriu que tais “fenômenos” atingiram também outros municípios do entorno.

Em Brejo Grande do Araguaia, o censo de 2022 indicou uma população de 6.783 habitantes, enquanto em 2024, 7.214 eleitores estavam aptos à votar; 431 pessoas à mais do que indicava o IBGE há dois anos.

São João do Araguaia não foi diferente. O censo de 2022 apresentou 13.664 habitantes, número que pulou para 13.769 nas últimas eleições. Crescimento de 105 pessoas.

Fatos como esse, sugere uma fonte, acontecem também nas grandes cidades, onde é “comum” esse fenômeno do “eleitor itinerante”. “Só que nas grandes cidades é mais difícil de perceber. Já em municípios menores, esse tipo de fraude acontece abertamente. É preciso providência das autoridades”, sugere a mesma fonte.

Os números acima citados, foram todos coletados nos sites, tanto do TSE, quanto do IBGE.

Esquema suspeito    

A reportagem dispõe de vários áudios de WhatsApp, obtidos com exclusividade, aonde os interlocutores sugerem a possibilidade de “maracutaia”, para beneficiar Márcio Folha. Uma das conversas evidencia que um forte empresário de Parauapebas, teria aliciado funcionários para votarem no candidato da coligação “Por Amor à Palestina”. Não apenas aliciado, mas também fretado ônibus para transportar esses funcionários.  

Logo após o final das apurações, uma das mensagens festeja a vitória de Folha. “Ainda bem que os dois ganharam, né, tá bom demais”, diz essa pessoa, se referindo a Márcio Folha, e uma candidata a vereadora.

Outra voz ressalta a participação de uma pessoa envolvida, relatando que “Os votos do ‘empresário’ fizeram efeito cumpadi... o caboco me disse aqui estou levando 45 votos, tá anotado aqui no caderno... tô levando aqui 45 votos pra votar lá no Porto da Balsa... e votou os 45 votos. O povo do ‘empresário’ fez a diferença, o povo dele fez a diferença”, se gaba esse interlocutor.

Uma outra voz, também pelo WatsApp, enfatiza que “só aqui do Peba aqui, foi mais de 50 pessoa cumpadi, foi dois ônibus”, dando a entender que, realmente, tal empresário fretou dois ônibus para conduzir seus funcionários de Parauapebas até Palestina, com a incumbência de votarem em Márcio Folha.

Time joga bem – Outro diálogo pelo celular, não menos comprometedor, envolve uma pessoa que seria Kerlone, primo do atual prefeito, Cláudio da Tetê, e que seria supostamente um dos operadores de frente da prática de compra de votos. Essa pessoa reconhece, segundo o áudio de WhatsApp vazado para a reportagem, que a coligação “Por Amor à Palestina” já tinha dada como certa a derrota. Trecho da conversa ressalta que “nós tava perdendo, nós tava com essa política aí perdida, ‘Magrelo’ lá em cima e nós tomamo. O time do 45 joga bem demais”. Cita ainda que “O time do 45 parece o Barcelona jogando”. “Magrelo”, a que se refere, se trata da pessoa de Valciney Gomes; é como é chamado por seus correligionários.

O interlocutor, na troca de mensagens com a pessoa que seria o Kerlone, chama-se Davi, segundo o próprio nominou. “Não Davi, eu tava agorinha aqui falando com o Cláudio (que seria o atual prefeito), eu gosto de ver esse time do 45 (partido do atual prefeito que compõe a coligação Por Amor à Palestina) trabalhar numa política, viu, ele sabe é trabalhar, o time aprendeu a trabalhar mesmo... cada um sabe sua posição... dá gosto de ver um 45 desse trabalhando, oh”, finaliza o áudio.

De acordo com informações coletadas pela reportagem, a compra de votos em Palestina do Pará, teria girado em torno de R$ 2 milhões. Crime eleitoral supostamente patrocinado por empresários de Parauapebas e Marabá, que teriam interesse na permanência de aliados de Cláudio da Tetê na prefeitura. Só para um “cabo eleitoral” teriam sido destinados R$ 10 mil, via PIX, para ser empregado no aliciamento de eleitores.

Recorrente – Caso seja comprovado que Márcio Folha tenha sido eleito através da suposta compra de votos, será mais um capítulo da história política de Palestina do Pará que se repete.

A prática de crimes eleitorais no município, não é novidade. Nas eleições do ano de 2012, a candidata Maria Ribeiro, segunda colocada, segundo as pesquisas, superou o candidato Valciney Gomes, com uma pequena margem de votos.

A Justiça Eleitoral, diante da constatação de que a vitória de Ribeiro se deu através do abuso econômico praticado pelo grupo da então prefeita, que concorreu a reeleição, anulou o pleito. O Tribunal Regional Eleitoral (TER/PA) determinou a realização de nova eleição, quando então Valciney foi eleito, com folga.

Retorno – A reportagem tentou ouvir a coordenação da coligação “Por Amor à Palestina”, assim como também as demais pessoas citadas nessa matéria. Sem sucesso.

Mas fica o espaço aberto, para quem quiser se manifestar a respeito das denúncias aqui citadas.

                                                 
                                         Imagens: Fornecidas por um informante


Deboche: Moacy (de chapéu) alicia eleitor em pleno local de votação  
                                                
Ex vereador Moacy, por ocasião de sua prisão no dia das eleições




sexta-feira, 4 de outubro de 2024

 Palestina do Pará

Valciney Gomes lidera com folga para prefeito

Em se confirmando os números das últimas pesquisas registradas junto ao TRE, “Magrelo” emplaca seu 4° mandato

 

NILSON SANTOS

 

Apesar de ser um dos menores municípios do interior paraense, nem por isso o embate político deixa de ser acirrado em Palestina do Pará, região sudeste, já na fronteira com o estado do Tocantins. Neste ano eleitoral, não está sendo diferente.

Na briga pelo seu quarto mandato para prefeito, o candidato Valciney Ferreira Gomes, o “Magrelo” (MDB), vem liderando na corrida pela prefeitura. Segundo a última pesquisa realizada esta semana, o emedebista aponta 50,5% das intenções de votos, enquanto o segundo colocado, Márcio Folha (PP), registra 47,9%. Uma diferença mínima de menos de 3%. Esta pesquisa foi registrada junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o número 07146/2024.

Apesar dessa pequena diferença, Valciney não se mostra preocupado e acredita na vitória nas urnas. Ele conta principalmente com o apoio da zona rural, que detém 40% dos eleitores de todo o município. “Aqui sempre foi assim, bem apertado”, reconhece o candidato.

Aliado do governador Helder Barbalho (MDB), que inclusive esteve em Palestina do Pará reforçando a campanha do “Magrelo”, esta semana Valciney recebeu mais um reforço de peso. Jáder Filho, ministro das Cidades, foi pessoalmente referendar a campanha do aliado. Chegou de helicóptero, e foi recepcionado por centenas de moradores. Baseado neste apoio, tanto do governo estadual quanto federal, é que Valciney acredita na vitória, neste domingo, dia 6. Seu principal braço de campanha foi justamente o programa, “Minha Casa, Minha Vida”.

Engodo – Paralela à pesquisa que aponta a vantagem de Valciney, Márcio Folha também divulgou seu próprio balanço, apenas para consumo interno. Neste, não registrado no TRE, aponta vantagem do progressista. Pela suspeita de manipulação e fraude nessas pesquisas, a mesma foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral, e está vetada. Não pode ser oficialmente divulgada.

Ressaltando que Folha é o candidato do prefeito Cláudio Robertino dos Santos, o “Cláudio da Tetê”, e recebe os apoios da ex-prefeita Maria Ribeiro, e da ex-deputada Tetê Santos.

Em uma das eleições em Palestina do Pará, Maria Ribeiro ganhou mas não levou. Valciney, que também concorria à prefeitura, conseguiu provar na justiça que a eleição foi fraudada. Ribeiro teve o mandato cassado e “Magrelo”, que tinha ficado em segundo, foi diplomado prefeito de Palestina do Pará.

É o que Valciney espera para este domingo. Ganhar nas urnas, de forma limpa e honesta, e assim assumir a prefeitura, pelo quarto mandato. Dois deles de forma consecutiva.

                

                              


                           

  

quarta-feira, 8 de maio de 2024

 

CANÇÃO PARA LUNA

         (NILSON SANTOS)

 

Nossa convivência foi linda, maravilhosa

Sem percalços nem atropelos...

Alguns poucos, talvez;

Quem não os tem?

 

Mas buscava dialogar,

palavras sem nexo;

E, para amenizar,

Cantava canções de Roberto,

de Waldick e outros mais

E ela,

Ficava a me olhar, com olhos lânguidos,

Preguiçosos,

Irritados?

levantava a cabeça com aquele ar sonolento,

Balançava pra lá e pra cá,

E voltava à dormência de antes;

Minhas palavras viravam monólogo.


E, nesses monólogos,

desvairados,

talvez tenha, em sua linguagem singela,

me "chamado" de louco,

por falar sozinho,

"falando sozinho, entre quatro paredes"...

suspiro, que até virou canção  

 

Sim,

vivemos bons e maus momentos;

Minha amiga, companheira de muitos dias e noites

Parceira alegre lá na beira do rio.

 

Resmungava quando eu saía,

Transbordava alegria no meu retorno.  

Me entendia perfeitamente:

Se triste, ficava triste também;

Se preocupado, se aconchegava em mim;

Se na alegria, dançava ao meu redor;

Se eu chorasse, percebia seus olhos lacrimejantes.

E, nesse enlevo,

Os dias se faziam mais leves.

 

Traquina e faceira,

Brincava que nem criança,

E me fazia sorrir,

Qual a criança que um dia fui.

Seu hobby predileto?

“Bolinar” camaleões e calangos

Que abundam em nosso quintal,

E, quando já saturada,

Vinha descansar aos meus pés.

E assim,

Nesse enlevo,

Os dias se faziam mais leves

 

Se faziam mais leves...

 

Mas, como o tempo que voa

O vento que passa

A brisa que se desvanece

O hoje que vira ontem,

Você também virou saudade


E, para mim,

Restou apenas a solidão

... a solidão de um quintal vazio;

E lágrimas para chorar,

Tua eterna ausência...

O uivo festivo da Luna silenciou para sempre,

Lua minha, que não vai mais brilhar.

 

 *A Luna é da raça Akita Japonesa, cuja previsão de vida são de doze anos. Viveu comigo por uns bons dez anos. Vou sentir muita falta e saudade redobrada.

Morreu em 07/05/2024


Sempre atenta ao muro, à espreita de calangos e camaleões

Seu porte altivo sempre foi atração em nossa beira de rio


sexta-feira, 12 de abril de 2024

 A MATÉRIA QUE NÃO GOSTARIA DE ESCREVER

NILSON SANTOS


O título é um plágio de um colega meu, também jornalista, a quem peço que me perdoe pelo “furto” da autoria.

A matéria em questão foi a respeito de uma tragédia aérea ocorrida em Redenção, sul do Pará, no ano de 1995, exatamente em um dia 23 de outubro, quando se comemora o Dia do Aviador. Várias pessoas morreram, incluindo o jornalista Roberto Braga, então diretor de publicidade da TV Carajás, afiliada ao SBT. Na época, era eu o diretor de jornalismo dessa emissora.

O voo, em um monomotor, era justamente em comemoração pelo Dia do Aviador, cuja Associação de Pilotos de Aeronaves de Redenção, todos os anos reunia seus associados e familiares para confraternizar pela data. Como forma de incrementar ainda mais o festejo, foi realizado um bingo e ao ganhador, um mecânico, coube como prêmio o privilégio de um passeio de avião, em companhia da família. No caso, sua esposa e duas filhas, de 10 e 12 anos, respectivamente. Apenas a de 12 anos sobreviveu. O restante da família, assim como os demais ocupantes, morreram todos. Incluindo piloto e co-piloto.

O que seria apenas um sobrevoo festivo, acabou redundando em lamentável tragédia.

Quis a mão caprichosa do destino, que eu e meu cinegrafista não estivéssemos nesse voo. Não lembro o motivo, mas chegamos atrasados no aeroporto. O convite era para fazer o registro de toda a animação da família contemplada, além dos demais convidados. Para os adolescentes, era a primeira experiência no ar. Catastrófica experiência.

Outros também foram convidados para o sobrevoo, incluindo Roberto Braga.

Toda a festa se transformou em lágrimas de luto. A cidade entrou em comoção. Narrar o fato em reportagens, era dever de ofício. Esse nosso confrade, usando de toda a sensibilidade, deu esse título: “A Matéria que Não Gostaria de Escrever”. Não sei se pela perda do colega de profissão, ou se pelo todo.

Fiz todo esse preâmbulo, para poder chegar aonde queria.

Milito no jornalismo desde muito jovem. Comecei como “foca” ainda na adolescência, com preferência pela crônica policial, embora atue também nas outras áreas da comunicação. No rádio, me inspirei muito no saudoso e icônico repórter policial Paulo Ronaldo. Foi meu “mestre à distância”.

Já vi e já escrevi sobe muitas tragédias. Tantas que nem lembro quantas. Algumas revestidas de tanta crueldade, que levam a reflexão sobre se foram mesmo cometidas por algum ser humano.

Assassinatos, estupros, acidentes, incêndios, invasões, desocupações, mortes de sem-terra e mortes de policiais; suicídios, afogamentos; enfim. Dá para reunir em um livro, sendo esse um de meus ainda projetos.

Sim, já vi um mar de sangue derramado; já presenciei enxurradas, das lágrimas das muitas famílias que ficaram enlutadas.

E agora, estou vivenciando na pele a mesma história, tema e enredo de muitas outras, já escritas ao longo de muitos anos.

A “reportagem que não gostaria de escrever”, é sobre minha própria filha, cuja vida foi tirada pelas mãos de um algoz, a quem chamava de “amor”, e “vida”.

Estranha forma de amar, cuja prova foi um nocaute fatal na nuca. Minha filhinha experimentou a sua última “queda” na vida, das muitas outras pela qual já tinha tropeçado. Dessa, já se levantou pelas mãos de terceiros. Para nunca mais voltar.

É com lágrimas à jorrar, coração entorpecido, alma em frangalhos, espírito em devaneios, que tento imortalizar pela escrita, o que não consigo expressar em palavras. O nó na garganta, só permite o eco dos soluços.

Minha filha foi derrubada, sem o mínimo reflexo de defesa. Soco pelas costas, na nuca, cuja força provocou traumatismo craniano seguido de hemorragia interna.

Soco de covardia, desferido por um crápula, que não passa de um germe que rasteja pelas sarjetas.

Nem uma gota de sangue derramada.

Nem um ai; nem um grito por socorro.

Apenas o último suspiro.

O último beijo que veio foi de um anônimo, que ainda tentou o “respiração boca a boca”.

Em vão.

O último suspiro já havia se esvaído.

O que restava agora, era apenas um corpo inerte, atirado sobre um chão frio, tão pisado e repisado pela miséria humana.

O que resta agora, filha minha, é somente essa dor danada, que dilacera, que corta tudo por dentro, que corrói minh’alma, que me faz perder a fé, que me faz tão pequeno, que me faz um quase nada, um quase ninguém.

Fala, filha minha, onde foi que te perdi? Quando?

Quando deixei de segurar tuas mãos?

Onde foi que errei?

Me permite, amor meu, que possa contemplar, sempre, o teu sorriso franco;

Tua alegria de menina, que a todos contagiava.

Deixa levar na memória, o teu jeito meigo e descontraído de viver.

Sim, amavas a vida

E semeavas amor ao teu redor,

Muitas das vezes, em campos não muito férteis;

Mas amavas, com tanta intensidade,

Que até os animais, sentiam a força dessa luz, que transbordava de tua áurea.

Mas não o animal,

Esse ser selvagem, ignóbio,

Que te nocauteou por trás,

E matou a todos nós.

Te amo, eternamente e saudosamente te amo,

Prisciane, querida filha minha.

Esta é a crônica, que nunca gostaria de ter escrito.














Esta imagem foi quando minha filha retornou de Marabá para Castanhal, dia 24 de março.
O abraço na minha neta, sobrinha dela, Esther, foi de despedida.
Veio, para se entregar ao abraço da morte, pelos braços do algoz.
Esta foto ficará eternizada