Itacaiúnas
Anúncio
de terceira ponte provoca especulação imobiliária
Lotes que valiam entre dez e quinze mil, da noite para o dia supervalorizaram quase ou mais que o dobro; mas está atraindo investimentos
NILSON
SANTOS
A anunciada terceira ponte
do rio Itacaiúnas, que deve ligar o bairro Filadélfia, no Núcleo Cidade Nova, à
rodovia Transamazônica, saindo ao lado do quartel da Polícia Militar (4º BPM),
ainda não teve seu projeto “parido” do papel vegetal. Mas, a obra, se ainda não
decolou, pelo menos já serviu para um fato curioso: a especulação urbana com
vistas ao mercado imobiliário e empresas diversas.
É certo que o projeto
já vem sendo especulado há algum tempo, mas que num primeiro momento não chegou
a despertar maior atenção em torno do assunto, encarado com certo ceticismo. Em
janeiro do ano passado, o panorama mudou. A presença de trabalhadores para
fazer a sondagem no local, e trabalho de topografia, já deixou os moradores do
Filadélfia mais otimistas. Não só eles, mas também dos outros bairros do
entorno, como Vale do Itacaiúnas, São Miguel da Conquista, Novo Horizonte e
Belo Horizonte, que serão beneficiados diretamente.
Fenômeno
A partir de então
aconteceu uma supervalorização de lotes por todo o Filadélfia, bairro que
margeia o rio Itacaiúnas. Um terreno de 10x30, que antes valia em torno de R$
10 mil à 12 mil, dependendo da localização, pulou rapidamente para cerca de 15
mil à 30 mil reais. Somente uma área mais extensa, localizada a poucos metros
de onde a ponte deve sair, pulou de R$ 40 para R$ 80 mil. E por aí vai.
De olho nesse mercado
promissor, o imobiliário, tem empresário investindo pesado no bairro. Alguns estão
“arrematando” de quatro a cinco lotes, ou mais, desde que sejam vizinhos. Mas
outros ramos diversificados, estão chegando também.
Exemplo disso é um
empreendedor do ramo da Energia Solar, e de Material Elétrico e de Construção. Franklin
Rommel Fernandes. Em pouco tempo já adquiriu vários lotes no bairro. Onde tem áreas
disponíveis, ele vai comprando, com o intuito de ampliar a presença física de
suas empresas. Na Rua Seis de Junho já está construindo um grande galpão para
facilitar a logística de suas empresas e, um pouco mais acima, na rua Armando
Brito, está em andamento uma loja de materiais de construção. O galpão, disse,
será para a montagem dos painéis das placas solares, além de servir também como
depósito.
Na hora mesmo em que
estava gravando esta entrevista, Rommel teve que interromper para atender uma
ligação de seu advogado. Este estava informando sobre a aquisição de mais
quatro lotes, no Filadélfia.
O empresário não nega
ter sido atraído para o local, pela promessa da ponte. Ele acredita que o
bairro Filadélfia venha a deslumbrar um grande desenvolvimento, tão logo o
sonho da passarela se torne realidade. “Pela facilidade de escoamento”.
Apesar da demora para o
início da obra, Rommel não perde o otimismo. Ele acredita no comprometimento do
prefeito Sebastião Miranda (PSD). “Com certeza vai sair (a ponte). O Tião é um
prefeito comprometido com obras. Acredito que dentro do seu portfólio de
grandes realizações, vai ser mais um feito em sua grande gestão”, confia o
empresário.
Sobre os vários
terrenos que vêm comprando no bairro Filadélfia, Rommel Fernandes não esconde
que, num futuro próximo, venha à investir também no ramo imobiliário. E dá uma
dica para outros empreendedores: “este é o momento (de comprar áreas). Eu já
estou comprando meus terrenos e aqui serão fincadas minhas empresas, como marco
para o bairro Filadélfia”. O empresário reconhece que realmente os preços das
áreas supervalorizaram, da noite para o dia, a partir do anúncio de que em
janeiro passado o projeto da ponte iria deslanchar. O que acabou não
acontecendo.
Já o professor e também
empresário David Freitas, nega que tenha sido atraído para o bairro pela promessa
da ponte. Do ramo dos pré-moldados, manilhas, pingadeiras e broquetes, ele
garante ter desembarcado na área pela oferta de bons terrenos a preços
compatíveis, na época. Chegou há três anos e, hoje, seus lotes já estão valendo
quase, ou mais que o dobro de quando os comprou.
A empresa do professor
David já está em plena atividade, e com oferta de empregos para a mão de obra
especializada, no próprio bairro.
Outros empreendimentos
também estão chegando, gradativamente. Todos de olho na grande demanda e a
promessa de desenvolvimento que o bairro Filadélfia deve experimentar, com o
advento da nova ponte. Uma empresa do ramo imobiliário comprou e já murou a área
da antiga Cerita, que foi uma das mais tradicionais produtoras de telhas e
tijolos da Marabá de outrora.
Supermercados,
Transportadoras, distribuidoras de bebidas, de água e de gás, entre outras,
também estão otimistas em torno do potencial econômico, vislumbrado para o
bairro Filadélfia.
A
Ponte
Orçada em R$ 109
milhões, a terceira ponte sobre o rio Itacaiúnas terá 524 metros de extensão,
com 12m de largura; 1,85 metros destinados à faixa de passeio. O prazo para a
execução da obra, a partir do seu início, será de 20 meses.
De acordo com
informações do engenheiro civil Fábio Moreira, titular da Secretaria de Viação
e Obras Públicas de Marabá (SEVOP), os trabalhos devem iniciar em meados de
maio.
Dos R$ 109 milhões à
serem empregados no projeto, 50 milhões já foram aportados pelo governo do
Estado do Pará, enquanto os restantes 59 milhões vêm de recursos próprios do
município.
Imagens: Blog do Cara Feia
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Empresário Rommel Fernandes vem investindo pesado no Filadélfia |
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Área onde serão instalados os galpões das empresas Rommel |
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Lotes praticamente dobraram de preços com anúncio da terceira ponte |