CANÇÃO PARA LUNA
(NILSON SANTOS)
Nossa convivência foi linda, maravilhosa
Sem percalços nem atropelos...
Alguns poucos, talvez;
Quem não os tem?
Mas buscava dialogar,
palavras sem nexo;
E, para amenizar,
Cantava canções de Roberto,
de Waldick e outros mais
E ela,
Ficava a me olhar, com olhos lânguidos,
Preguiçosos,
Irritados?
levantava a cabeça com aquele ar sonolento,
Balançava pra lá e pra cá,
E voltava à dormência de antes;
Minhas palavras viravam monólogo.
E, nesses monólogos,
desvairados,
talvez tenha, em sua linguagem singela,
me "chamado" de louco,
por falar sozinho,
"falando sozinho, entre quatro paredes"...
suspiro, que até virou canção
Sim,
vivemos bons e maus momentos;
Minha amiga, companheira de muitos dias e
noites
Parceira alegre lá na beira do rio.
Resmungava quando eu saía,
Transbordava alegria no meu retorno.
Me entendia perfeitamente:
Se triste, ficava triste também;
Se preocupado, se aconchegava em mim;
Se na alegria, dançava ao meu redor;
Se eu chorasse, percebia seus olhos lacrimejantes.
E, nesse enlevo,
Os dias se faziam mais leves.
Traquina e faceira,
Brincava que nem criança,
E me fazia sorrir,
Qual a criança que um dia fui.
Seu hobby predileto?
“Bolinar” camaleões e calangos
Que abundam em nosso quintal,
E, quando já saturada,
Vinha descansar aos meus pés.
E assim,
Nesse enlevo,
Os dias se faziam mais leves
Se faziam mais leves...
Mas, como o tempo que voa
O vento que passa
A brisa que se desvanece
O hoje que vira ontem,
Você também virou saudade
E, para mim,
Restou apenas a solidão
... a solidão de um quintal vazio;
E lágrimas para chorar,
Tua eterna ausência...
O uivo festivo da Luna silenciou para
sempre,
Lua minha, que não vai mais brilhar.
Morreu em 07/05/2024
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Sempre atenta ao muro, à espreita de calangos e camaleões |
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Seu porte altivo sempre foi atração em nossa beira de rio |
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