terça-feira, 7 de julho de 2026

 COPA DO MUNDO

Excesso de bebidas durante os jogos pode ser um risco à saúde

Na competição, a euforia das torcidas muitas vezes vem acompanhada de copos cheios, mas o excesso de álcool pode transformar a alegria em dor

MARABÁ

Durante os jogos, a festa costuma atravessar fronteiras e invadir salas e bares. A emoção ao assistir às partidas extravasa e as comemorações, independentemente do time, são frequentemente regadas a doses de bebida. Mas se o consumo entra em campo sem estratégia, o resultado pode ser um verdadeiro “gol contra” para a saúde.

A biomédica Jessica Batista de Jesus, docente da Afya/Redenção, alerta que a combinação de álcool, comidas pesadas e noites mal dormidas é como enfrentar uma prorrogação sem preparo físico. “O corpo libera uma descarga massiva de adrenalina, que eleva a pressão e pode desenvolver arritmias e até infartos, mesmo em quem não tem histórico cardíaco”.

Segundo ela, o que muitos chamam de “ressaca forte” pode ser, na verdade, uma sobrecarga perigosa para coração e metabolismo.

Jessica também destaca que os efeitos não se limitam ao dia da partida. “O fígado pode desenvolver esteatose em poucas semanas, enquanto o sistema imunológico perde força, deixando o corpo vulnerável a infecções. É como jogar várias partidas seguidas sem descanso: o time não aguenta”.

Os dados reforçam a preocupação: segundo o Ministério da Saúde, 63,6% dos adultos brasileiros já consumiram álcool e 34,7% praticam consumo pesado episódico. O impacto no sistema de saúde é gigantesco, o SUS gasta R$ 1,1 bilhão por ano em hospitalizações relacionadas ao álcool. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o álcool é responsável por 12 mortes por hora no Brasil, além de custos diretos e indiretos que chegam a R$ 18,8 bilhões anuais.

O médico de família e professor da Afya/Bragança, Aloiso Sampaio, reforça que o primeiro passo é jogar com disciplina: “O principal cuidado é estabelecer limites antes de começar a beber. Alternar álcool com água, alimentar-se bem e nunca dirigir após ingerir bebidas são regras básicas para evitar excessos”. Ele lembra que intoxicação alcoólica, vômitos, quedas e até insuficiência respiratória podem ser consequências imediatas de exageros.

Os sinais de alerta também são claros: sonolência excessiva, fala arrastada, perda de coordenação e dificuldade para respirar exigem atenção imediata. Jessica acrescenta que o estresse e a falta de sono ainda desorganizam a mente, trazendo dores de cabeça, crises de gastrite e até recaídas de ansiedade ou depressão.

Mas nem tudo é cartão vermelho. Medidas simples ajudam a reduzir os impactos do consumo de álcool durante as comemorações. Os especialistas recomendam beber água entre as doses, alimentar-se antes de consumir bebidas alcoólicas, manter uma boa rotina de sono e substituir parte dos petiscos ricos em gordura por frutas ou castanhas. “Evite misturar energético com álcool. Essa combinação pode desencadear arritmias graves”, alerta Jessica Batista. Já Aloiso Sampaio reforça que o principal objetivo das confraternizações deve ser o convívio: “O foco deve ser a convivência e o lazer, não o álcool como protagonista da celebração”. (Elizabeth Ribeiro/Ascom/Facimpa)

                                       Imagem: Ilustração

Um brinde a mais pode significar sérios riscos à saúde