segunda-feira, 15 de junho de 2026

 TREINO NO VERÃO

Segurança e desempenho sem perder o ritmo 

Especialistas explicam como ajustar intensidade, hidratação e alimentação para garantir saúde e resultados duradouros 


MARABÁ

 

O calor intenso da Amazônia anuncia que o verão já chegou. Muitas praias sazonais já estão aparecendo e a chegada das férias está batendo à porta. Por isso, muita gente já está intensificando os treinos em busca de melhorar o corpo. Mas treinar nesse período exige mais do que força de vontade. As altas temperaturas podem interferir no rendimento e até provocar mal-estar.

Felipe Lincoln, profissional de educação física, explica que o calor e a umidade típicos da Amazônia alteram significativamente a percepção de esforço durante os treinos. Segundo ele, “a fadiga pode ser maior do que o normal e a intensidade naturalmente cai”. Por isso, recomenda que os praticantes façam ajustes no volume total de treino, o que inclui repetições, séries e carga, e na densidade, aumentando os intervalos de descanso para evitar sobrecarga.

Além disso, o educador físico ressalta que manter hábitos saudáveis fora da academia é essencial para o bom desempenho. Ele destaca que sono regulado, alimentação equilibrada e hidratação adequada ajudam a prevenir fadiga e câimbras. Para garantir constância mesmo em dias de clima extremo, Felipe sugere treinos ondulatórios, alternando sessões leves, moderadas e pesadas. “Os treinos leves devem ser mais longos e com baixa intensidade, os moderados exigem maior volume de repetições, e os pesados pedem mais carga com intervalos maiores”, orienta.

Já a médica endocrinologista Camila Rodrigues Resende, professora da Afya Redenção, explica que o corpo sofre alterações importantes quando exposto a altas temperaturas e umidade. “O calor aumenta a temperatura corporal e a produção de suor, elevando as perdas de água e eletrólitos, principalmente sódio, potássio e magnésio”.

Para a especialista, a alta umidade dificulta a evaporação do suor, o que compromete a dissipação de calor. O resultado pode ser queda de rendimento físico, fadiga precoce, tontura, dor de cabeça, câimbras e maior risco de desidratação.

A especialista reforça ainda, que a hidratação não deve começar durante o treino, mas sim ao longo de todo o dia. “No verão amazônico, quem aprende a cuidar da hidratação e da alimentação treina melhor, recupera melhor e constrói resultados mais duradouros”, destaca.

Alimentação antes e depois do treino

Camila orienta que a refeição pré-treino seja planejada com antecedência, destacando que uma refeição completa deve ser feita entre duas e três horas antes da atividade, privilegiando carboidratos de fácil digestão e proteínas em quantidade moderada. Já para quem prefere algo mais leve, ela recomenda um lanche entre 30 e 60 minutos antes, como banana com aveia, iogurte com frutas ou tapioca com queijo. A médica alerta ainda para o risco de desconforto gastrointestinal quando se consome alimentos muito gordurosos imediatamente antes do exercício, recomendando que sejam evitados nesse período.

Após o treino, a prioridade é clara: “Hidratação para recuperar o equilíbrio hídrico, reposição energética com carboidratos, especialmente após treinos longos ou intensos e proteína para recuperação e síntese muscular”, esclarece.

Uma estratégia simples, segundo a endocrinologista, é combinar água ou bebida de reposição com uma fonte de carboidrato e uma fonte proteica, por exemplo, fruta com whey protein ou iogurte com banana.

Risco de lesões no verão

Para o médico ortopedista e traumatologista Sanderson Rodrigo do Nascimento Raiol, a chegada do verão costuma levar muitas pessoas a intensificarem a rotina de exercícios, mas esse aumento de carga exige atenção redobrada. Segundo ele, as altas temperaturas e a umidade elevam o desgaste físico e podem aumentar o risco de lesões musculoesqueléticas.

“O mais importante é respeitar os limites do próprio corpo. Muitas vezes, na busca por resultados rápidos, as pessoas aumentam a intensidade dos treinos sem a adaptação necessária, o que pode sobrecarregar músculos, tendões e articulações”, alerta o especialista.

Sanderson recomenda manter uma boa hidratação, realizar aquecimento adequado antes das atividades físicas e aumentar a carga dos exercícios de forma gradual. Ele também destaca a importância de priorizar horários com temperaturas mais amenas, utilizar equipamentos apropriados e garantir uma rotina adequada de sono e alimentação para favorecer a recuperação do organismo.

“Mais importante do que acelerar os resultados é manter a regularidade da prática esportiva de forma segura. O corpo dá sinais quando está sendo exigido além do limite, e saber reconhecê-los é fundamental para prevenir lesões e preservar a saúde”, conclui.

O poder dos alimentos amazônicos

A endocrinologista Camila lembra que a Amazônia oferece alimentos naturais e eficazes para atletas e praticantes de atividade física, como a água de coco, rica em potássio e excelente para hidratação; a banana, fonte de energia rápida e potássio; o abacate, com gorduras boas, magnésio e potássio; a mandioca, que fornece energia para reposição de glicogênio; os peixes amazônicos, com proteína de alta qualidade; além do cupuaçu e do açaí, que concentram antioxidantes e carboidratos ideais para recuperação. Para ela, mais importante do que buscar a perfeição é cultivar cuidado, consistência e paciência, pois “o resultado é consequência”. (Elizabeth Ribeiro/Ascom/Facimpa)

                                        Imagens: Ascom/Facimpa

Felipe orienta ajustes nos treinos para evitar sobrecarga

Alimentos amazônicos são uma poderosa fonte de saúde e recuperação de energia 




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